Lei de Murphy invertida
Martha Medeiros
Todo mundo já ouvi falar da lei de Murphy. É a probabilidade de algo dar errado havendo chance para isso. O exemplo clássico é o da torrada com manteiga: se ela escapar da sua mão, é praticamente certo que vai cair no chão com a parte da manteiga virada pra baixo. Ou seja, se existe alguma probabilidade de algo dar errado, vai dar errado. Vou citar um exemplo menos clássico, mas que as mulheres todas conhecem. Você, que anda sempre bem produzida, bonitinha, resolve um dia comprar jornal na esquina e sai de qualquer jeito, com aquele moletom surrado e com o cabelo imundo, afinal, serão só dois minutinhos, jogo rápido. Doce inocência: é certo que você vai cruzar com meio mundo justo nestes dois minutinhos, inclusive com todos os seus ex-namorados. Não saia sem ao menos passar um batom.
Pois tão irritante quanto a lei de Murphy são os casos opostos: quando as coisas que vinham dando errado resolvem, de uma hora para outra, dar certo. Detalhe: justo na hora em que deveriam continuar dando errado.
Há vários casos relacionados com esta lei que, até onde sei, não tem nome (se tiver, me informe). Por exemplo: você anda sangrando pelo nariz. No começo, achou que era um vaso rompido ou algo assim, mas não parou: todo dia, ao assoar o nariz, estava lá a manchinha vermelha no lenço. Passaram-se dois dias, cinco dias, sete dias! Só então telefona para o médico, marca ma consulta e, então, o que acontece? Um milagre. Seu nariz para de sangrar. Você chega ao consultório jurando para o doutor que o nariz sangrava, mas, olhe que estranho, parou. Ele vai pedir exames, claro, mas ali mesmo começará a ser construída sua fama de hipocondríaca.
Um exemplo mais prosaico: seu cabelo está um horror. Medonho. Batendo na cintura e deixando você com um aspecto abatido e desatualizado. Aí você marca hora no salão. O que acontece justo no dia em que você resolve cortar? Seu cabelo amanhece igualzinho ao da Cleo Pires, você pode sair de casa direto para uma festa.
Seu bebê chora durante 24 horas, há dias. Quando você chega no pediatra, a criaturinha ferra no sono. “Doutor, ele não para de berrar um só minuto”, e a criança ali, zzzzzzzzz. Claro que é um complô para sugerir que você é louca.
Você chama o técnico para arrumar seu computador, que quebrou. O homem vem até a sua casa, liga a geringonça e – outro milagre – o computador funciona com perfeição. Mas eu juro, moço, que ele estava mortinho. Pois é. O cara já está na porta, tem mais o que fazer. Está só esperando você pagar a visita: quem vai morrer é você com no mínimo R$ 50.
E, assim que o técnico vira as costas, claro, a máquina cai em silêncio mortal, desliga para sempre. Lei de Murphy invertida. Não sei com você, mas comigo é muito comum do que torradas caindo com a manteiga pra baixo.
Domingo, 16 de outubro de 2005.
Desenvolvido por Carlos Daniel de Lima Soares.